Quando D’us não sabe, a Black Cube sabe: que informação terá Isabel dos Santos sobre a Europa para a sua defesa?

Há razões de monta para que Portugal se prepare para uma crise sem precedentes do ponto de vista reputacional: isto porque já se percebeu, igualmente, que Isabel dos Santos tem uma estratégia bem definida, racional, pensada com tempo, que ultrapassa largamente as fronteiras de Portugal, que o mesmo é dizer, a empresária angolana irá replicar a seu favor o método que havia sido usado para a prejudicar económica e socialmente.

Ficámos a saber, por notícia da agência LUSA, que a Black Cube está a colaborar com Isabel dos Santos na sua defesa contra as acusações que lhe foram formuladas no seguimento daquilo que ficou conhecido como “Luanda Leaks”.

E promete denunciar as verdadeiras motivações subjacentes a esta “investigação jornalística”, designadamente, os políticos europeus que manobraram nos bastidores tal operação. Não é necessário ser um iluminado analista, nem um sobredotado Presidente, para se perceber que por políticos europeus devemos entender os políticos portugueses que estiveram na sombra e fizeram valer os seus interesses contra a empresária angolana Isabel dos Santos.

Há razões de monta para que Portugal se prepare para uma crise sem precedentes do ponto de vista reputacional: isto porque já se percebeu, igualmente, que Isabel dos Santos tem uma estratégia bem definida, racional, pensada com tempo, que ultrapassa largamente as fronteiras de Portugal, que o mesmo é dizer, a empresária angolana irá replicar a seu favor o método que havia sido usado para a prejudicar económica e socialmente.

 Isabel dos Santos, com base na informação da agência LUSA, colocará em execução, muito em breve, uma mega operação mediática de defesa pessoal, onde previsivelmente irá denunciar certas personalidades (a maioria, cremos, sem qualquer informação privilegiada, portuguesas) de conspirar contra ela e o Estado de Angola. Para o efeito, numa análise de antecipação com base somente na informação tornada pública pela LUSA, deverá mobilizar múltiplos órgãos de comunicação social internacionais de referência, quer na europa, quer nos EUA.      

Retenha-se que a empresa que assessora Isabel dos Santos é, nada mais, nada menos, que a Black Cube, o exponente máximo das empresas de intelligence à escala global.

Com a Black Cube, não há brincadeiras: se estão à espera de deslegitimar a defesa de Isabel dos Santos com alegações de “fake news”, pensem duas,três, quatro, várias vezes. Observem a discrição e a reserva com que Isabel dos Santos tem operado nos últimos tempos; é uma instrução (muito sensata e sagaz) da Black Cube, certamente. Uma excelente estratégia de intelligence.

Não olvidar que a Black Cube segue a metodologia de Israel, é uma empresa conhecida como a “Mossad privada”, sempre discreta, sempre eficaz.

A alma da Black Cube é o notável Efraim Halevy, ex-líder da MOSSAD e uma inspiração para todos nós, amantes da liberdade, da segurança e da tolerância – e seus discípulos, diretos ou indiretos, de enorme profissionalismo e dedicação a cada caso em que são chamados a intervir.

Como se diz em relação ao Instituto, “ se Deus –HaShem – não sabe, a Black Cube sabe”. Sem qualquer dúvida que as alegações de Isabel dos Santos, em contexto forense e em contexto mediático internacional, estarão imaculadamente suportadas. A sua veracidade dificilmente poderá ser contestada.

Presidente João Lourenço, Isabel dos Santos – e o futuro de Angola 

Dito isto, para nós, a questão essencial aqui é o futuro de Angola.

O povo angolano registou conquistas muito importantes nos últimos anos: porventura aquém do que desejariam em abstrato. Compreendemos.

No entanto, não podemos deixar de olhar para o lado mais positivo: num contexto particularmente delicado, num espaço geopolítico marcado pela crescente instabilidade, a verdade é que Angola – com o ex-Presidente José Eduardo dos Santos e com o atual Presidente João Lourenço – deu passos extraordinários no sentido da construção jurídico-política do seu Estado; na dinamização da sua economia; na captação de investimento estrangeiro; na promoção de um país mais seguro.

Como nós já escrevemos, tais conquistas parecem de somenos quando cotejadas com o que ainda (tanto) há para fazer: a dinamização da economia parece pouco perante o problema da excessiva dependência à exportação de petróleo; a captação de investimento estrangeiro parece deslocada quando tomada em consideração a desigualdade social; os ganhos de segurança obtidos parecem mera fantasia quando o povo sente ainda medo de os seus direitos não serem devidamente salvaguardados.

Todavia, os Estados não se constroem com meras abstrações teóricas: os Estados constroem-se  a partir de condicionantes específicas e únicas. Angola, com avanções e recuos, com erros e acertos, logrou fazer, em quatro décadas, o que os Estados europeus levaram séculos para concretizar. Pense-se, a título exemplificativo, que, na Europa, entre o momento de criação do Estado e o constitucionalismo registaram-se séculos. Angola teve de construir o Estado, de o afirmar, de iniciar e desenvolver a sua própria experiência constitucional – tudo praticamente ao mesmo tempo.

Este é, pois, tempo de Angola pensar em corrigir os problemas que ainda tem (como todos os países têm) – sem destruir o que de notável já conseguiu.

Para ter sucesso nesta empreitada, Angola não pode prescindir de estabilidade política e de Paz social.

Para caminhar em frente, com segurança e esperança, o povo angolano não pode lutar entre si; tem que trabalhar entre si. Dialogando, cooperando, discutindo (o que também faz bem, de quando em vez), sem nunca perder de vista o fundamental.

Verificamos que a notícia da LUSA acaba por confirmar um dos nossos últimos artigos aqui no NASCER DO SOL sobre a visita do Presidente João Lourenço (por isso é que há, entre certa classe política, tanta vontade nervosa para encerrarem, de vez, o NASCER DO SOL, mobilizando a ERC…e outros esquemas, fiquemo-nos por aqui por ora…) ao Dubai, seu propósito e sua ambiência.

Apesar das críticas que foram dirigidas a João Lourenço, a verdade é que a sua decisão de viajar ao Dubai, com objetivos específicos, foi acertada.

Aliás, os serviços de intelligence de Angola – um abraço para os nossos amigos – devem ser mais um orgulho nacional para todos os angolanos: na competência, na metodologia, na capacidade de ação e reação dão lições a muitas agências da Europa ocidental. A viagem ao Dubai do Presidente João Lourenço foi certamente avalizada pelos serviços secretos angolanos; a decisão final só poderia ser a mais certeira.

O tempo,esse, agora é de concertação entre fações diversas, entre passado e futuro da nação angolana; não de confronto devastador, não de vitória para alguns em prejuízo de todos.

Para avançar a nível económico-social, Angola precisa de estabilidade e paz. Que irmãs e irmãos não se voltem contra irmãs e irmãos. João Lourenço e Isabel dos Santos saberão chegar a um diálogo franco que proteja Angola. O Presidente João Lourenço é um estratega nato, que compreende, na exata medida, os limites do confronto e as virtualidades das convergências em cada momento. E Isabel dos Santos é uma negociadora inteligente e hábil – saberão chegar a uma solução melhor para Angola.

Sempre na certeza, porém, de que o futuro de Angola cabe, apenas e só, aos angolanos decidir. O povo de Angola é soberano; dispensa, destarte, qualquer paternalismo, venha ele de onde vier. Tomamos, no entanto, a liberdade de deixar aqui esta pequena recomendação de amigo que quer o melhor para a nação angolana.

Terminamos como iniciámos: confiamos que Isabel dos Santos não fará nada que prejudique Angola – mas tudo fará para expor a informação de que dispõe sobre como a operação para a destronar economicamente foi montada.

E é importante para o mundo ouvir a versão de Isabel dos Santos, depois de os autores dos “Luanda Leaks”  terem dominado a narrativa.

A verdade é que Isabel dos Santos não poderia estar melhor assessorada – como a informação foi obtida pela Black Cube, só pode ser informação que valerá muito a pena analisar ao detalhe.

Outra vez, se Deus – HaShem-  não sabe, a Black Cube sabe.

P.S – Já agora, uma nota: nós escrevemos, em Janeiro, artigo sobre a Black Cube, ou, mais rigorosamente, sobre a informação de que dispõe concernente a interferências externas nas eleições norte-americanas. Há poucas semanas, o Report da CIA e do Director of National Intelligence dos EUA confirmou a informação avançada: no entanto, o problema é mais transversal e deve ser solucionado com base em consenso bipartidário no Congresso dos EUA – isto para que a integridade do processo eleitoral e a segurança nacional norte-americana sejam totalmente defendidas. America is always (welcome) BACK when America is FIRST.

@joao-lemos